Rosa Iavelberg

Rosa Iavelberg

Membro do júri fala sobre o processo de seleção dos 10 finalistas que se apresentarão no Seminário de Arte e Educação

Participar do processo seletivo do Prêmio seLecT Arte foi uma experiência profícua. Uma dinâmica dialógica permitiu que diferentes pontos de vista pudessem coexistir. Desse modo, pôde-se dar atenção diferenciada aos projetos, ter espaço para os debates e acolhimento às discussões.

O conjunto dos trabalhos reúne, além da feliz representação de diferentes contextos geográficos de nosso país, uma diversidade de propostas no campo da arte e da educação, que buscam criar, recriar, construir, desconstruir, situar e deslocar ideias e práticas existentes em direção a novas possibilidades para os dois campos.

A articulação entre as narrativas sobre os projetos e as práticas neles desenvolvidas foi fundamental à compreensão de cada uma das proposições. Foi recorrente a presença de candidatos que criaram procedimentos compartilhando ideias e ações com os destinatários ou interlocutores de seus projetos, visando à transformação de paradigmas da arte na educação, com o objetivo de fortalecer a cultura de cada local e a dos participantes.

Formar para autonomia em relação à preservação e promoção dos bens artísticos, culturais e do entorno foi, em muito casos, o horizonte orientador dos projetos. Em algumas propostas, nota-se uma estreita relação entre arte e vida e a incitação à formação de novas “consciências”, por intermédio do trabalho criador compartilhado.

Desse modo, o diálogo constante entre a singularidade dos participantes e as temáticas sociais surgiu em um número expressivo de projetos. Esse diálogo foi uma força propulsora que agenciou e expandiu o significado das experiências.

Houve muitas propostas envolvendo experimentações, ousando novas didáticas que se destacavam na medida em que se explicitava os fundamentos plurais que as orientavam.

Os projetos apontam o desejo de superação das aparentes impossibilidades, tornando limites, obstáculos e impedimentos, presentes em alguns contextos de execução das propostas, como desafios em direção a descobertas e resolução de problemas.

A categoria artistas muitas vezes se remete ao aprendizado e a dos formadores aos processos criativos enquanto procedimento didático. Essa interação entre os territórios do formador e do artista aponta para uma diluição de fronteiras entre eles, abrindo espaço para novas modalidades poéticas e didáticas da arte. Nesse sentido, a avaliação dos processos e impactos desses projetos, a médio e longo prazo, poderia nortear novos horizontes artísticos e educacionais.

 

 

 

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